Para Evitar o Desastre - Como Construir a Sociedade do Bem Viver

Escrita pelo sociólogo e secretário executivo do Iser Assessoria, Ivo Lesbaupin, esta cartilha tem por objetivo contribuir com o debate sobre novas formas de desenvolvimento em contraposição ao atual modelo dominante produtivista-consumista. No primeiro capítulo, aborda a degradação do meio ambiente, em diversos aspectos, começando pelo desmatamento, passando pela poluição da terra e perda da biodiversidade, aquecimento global e outros, até a poluição ambiental. São analisadas, no segundo capítulo, as causas que levam à destruição do meio ambiente e tornam insustentável a vida. Já o terceiro capítulo discute as saídas para a crise atual e apresenta algumas práticas alternativas já existentes no Brasil.

Novos Paradigmas para Outro Mundo Possível

Reunimos neste livro textos de participantes e de outros convidados nos quais estão presentes a crítica do paradigma dominante e elementos para pensar a transição para outra concepção de sociedade. Os primeiros artigos abordam as condições para uma mudança sistêmica e que elementos são fundamentais para que ela ocorra (Nilles, Bourban e Knecht), as características do novo paradigma eco-cosmo­lógico (Leonardo Boff), a contribuição do “bem viver” dos povos indígenas, assim como seus limites e a necessidade de outros aportes (Pablo Solon). Juliana Malerba discute a questão dos (bens) comuns como criação histórica, como resultado de decisões políticas em favor da coletividade. Afonso Murad analisa a felicidade, o “viver bem” e o con­sumo, confrontando a concepção capitalista de felicidade com a “sobriedade feliz” presente na Laudato Sí do Papa Francisco.

Amazônia: por uma economia do conhecimento da natureza

O livro oferece argumentos e dados empíricos para contestar a visão tão frequente de que o crescimento econômico na Amazônia supõe a substituição de áreas florestais (em geral ocupadas por populações indígenas e ribeirinhas) por atividades agropecuárias tradicionais como a soja e a pecuária. Mostra também que a destruição florestal, além de privar o Brasil e o mundo de serviços ecossistêmicos indispensáveis à própria vida, apoia-se em atividades ilegais e, com muita frequência, no banditismo. As consequências do avanço do desmatamento são desastrosas para a economia da Amazônia e para a própria democracia brasileira. No lugar dos laços de confiança que poderiam emergir como resultado da exploração sustentável da floresta em pé, o atual modelo de ocupação da Amazônia fortalece a criminalidade e dissemina a insegurança por toda a região.