Para Além do Desenvolvimento: construir outros horizontes utópicos

O livro é resultado de dois seminários organizados pelo “Projeto Novos Paradigmas: pensar, propor, difundir”, realizado pela Abong e pelo Iser Assessoria, que reuniram especialistas, militantes e outros profissionais parceiros. Muitas foram as contribuições recolhidas desses seminários – um de 2015 e outro de 2016 -, cujos conteúdos são apresentados na publicação visando a contribuição para estimular na sociedade o debate sobre alternativas ao modelo de desenvolvimento dominante.

Cartilha Popular Novos Paradigmas

A insustentabilidade do modo de vida centrado no consumo ilimitado já é um tema conhecido pela maioria dos habitantes do planeta Terra. A consciência de que esta insustentabilidade está chegando no seu limiar e que põe em risco a sobrevivência da própria humanidade talvez ainda não seja um senso comum. Infelizmente, as pessoas raramente fazem a conexão dos eventos climáticos extremos – como ondas de calor acima de 50º, ou o aumento dos furacões e de seu poder destruidor, as chuvas torrenciais ou as secas intermináveis – e suas consequências para a vida humana, para a vida animal e para os vários biomas. Outra abordagem que também não é comum é a injustiça social deste modo de vida. Para que alguns tenham várias casas e carros, troquem seu guarda-roupa todo ano, tenham alimento em abundância a ponto de jogar muitas “sobras” no lixo, é preciso que muitos não tenham nada. Se este modo de vida da minoria rica fosse estendido para todos os seres humanos, o planeta não suportaria. Talvez, como em nenhuma outra época da história humana, seja preciso fazer escolhas. E fazê-las rápido. O que talvez poucas pessoas saibam é que as alternativas para mudar esta realidade já existem e estão sendo praticadas e construídas por pequenas e médias comunidades, por organizações e movimentos sociais em todo o mundo, por governos locais, por trabalhadores e trabalhadoras da economia solidária, por povos indígenas, povos tradicionais e povos de matriz africana.

Jornada para Terralanda

Lançado pelo Ibase em 2018, o livro “Jornada para Terralanda – A Grande Transição para a Civilização Planetária” é a versão em português do livro Journey to Earthland – the Great Transition to Planetary Civilization, do físico norte-americano Paul Raskin, fundador da Great Transition Initiative (GTI), que desde 2003 mobiliza renomada rede internacional para explorar estratégias que levem a um futuro sustentável e de respeito aos bens comuns do planeta. Parceiro de Paul Raskin no debate sobre cidadania global, Cândido Grzybowski, do Ibase, foi o responsável por trazer a obra para o Brasil e assina a apresentação da obra: “Jornada para Terralanda, é acima de tudo um con­vite para pensar e sonhar com uma Civilização Planetária, um cenário possível e plausível que podemos fazer nascer e crescer a partir do aqui e agora. É uma potente visão, com texto cativante e bem fundamentado, que tem por base um longo esforço de investigação pessoal e coletiva. Além disso, os conceitos apresentados no livro têm ocupado espaços de debate na sociedade civil organizada” – explica.

Para Evitar o Desastre - Como Construir a Sociedade do Bem Viver

Escrita pelo sociólogo e secretário executivo do Iser Assessoria, Ivo Lesbaupin, esta cartilha tem por objetivo contribuir com o debate sobre novas formas de desenvolvimento em contraposição ao atual modelo dominante produtivista-consumista. No primeiro capítulo, aborda a degradação do meio ambiente, em diversos aspectos, começando pelo desmatamento, passando pela poluição da terra e perda da biodiversidade, aquecimento global e outros, até a poluição ambiental. São analisadas, no segundo capítulo, as causas que levam à destruição do meio ambiente e tornam insustentável a vida. Já o terceiro capítulo discute as saídas para a crise atual e apresenta algumas práticas alternativas já existentes no Brasil.

Novos Paradigmas para Outro Mundo Possível

Reunimos neste livro textos de participantes e de outros convidados nos quais estão presentes a crítica do paradigma dominante e elementos para pensar a transição para outra concepção de sociedade. Os primeiros artigos abordam as condições para uma mudança sistêmica e que elementos são fundamentais para que ela ocorra (Nilles, Bourban e Knecht), as características do novo paradigma eco-cosmo­lógico (Leonardo Boff), a contribuição do “bem viver” dos povos indígenas, assim como seus limites e a necessidade de outros aportes (Pablo Solon). Juliana Malerba discute a questão dos (bens) comuns como criação histórica, como resultado de decisões políticas em favor da coletividade. Afonso Murad analisa a felicidade, o “viver bem” e o con­sumo, confrontando a concepção capitalista de felicidade com a “sobriedade feliz” presente na Laudato Sí do Papa Francisco.

Amazônia: por uma economia do conhecimento da natureza

O livro oferece argumentos e dados empíricos para contestar a visão tão frequente de que o crescimento econômico na Amazônia supõe a substituição de áreas florestais (em geral ocupadas por populações indígenas e ribeirinhas) por atividades agropecuárias tradicionais como a soja e a pecuária. Mostra também que a destruição florestal, além de privar o Brasil e o mundo de serviços ecossistêmicos indispensáveis à própria vida, apoia-se em atividades ilegais e, com muita frequência, no banditismo. As consequências do avanço do desmatamento são desastrosas para a economia da Amazônia e para a própria democracia brasileira. No lugar dos laços de confiança que poderiam emergir como resultado da exploração sustentável da floresta em pé, o atual modelo de ocupação da Amazônia fortalece a criminalidade e dissemina a insegurança por toda a região.