Vídeo "Pampa, memórias e saberes do nosso lugar" (https://www.youtube.com/watch?v=2AllGV-3uWg). Depoimento do jovem Gilmar Jhan no tempo 43 minutos e 40 segundos do vídeo: "Essa aqui é uma área que é diferente o manejo, que é com biofertilizante e com piqueteamento, onde o predomínio é de grama nativa e o pega-pega;... e essa é uma área que não tem manejo, tem o annoni e não tem grama. Tem o annoni e a terra, e é só o que tem nessa área de terra, que não tem o manejo de biofertilizante e piqueteamento. Então essa é uma grande diferença de uma área com esse tipo de manejo."

Controle do capim annoni e recuperação do campo nativo no bioma Pampa

Fundação Luterana de Diaconia (FLD)

Assentamento da reforma agrária Santa Maria do Ibicuí. Manoel Viana, Rio Grande do Sul

O avanço do capim annoni (Eragrostis plana Nees) sobre os campos nativos do bioma Pampa vem ocasionando significativas perdas para a atividade de pecuária e para a biodiversidade dos campos sulinos. O controle químico – pouco eficiente – e com várias consequências, continua sendo o método mais empregado. Uma iniciativa de controle do annoni com o uso de biofertilizante associado ao manejo dos animais em pastoreiro rotativo sobre o campo, foi desenvolvida na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul (RS), mostrando bons resultados. Usando o biofertilizante sobre o campo, a microvida do solo é estimulada, os microrganismos descompactam o solo, o annoni fica frágil a ponto de ser arrancado pelo gado ao pastejar, e o campo nativo se restabelece.

Contato

Telefones: 51 3225 9066 /

Endereço: Dr flores Nº 62 Sala 901 Centro Histórico Porto Alegre.

Cidade: MANOEL VIANA UF: PI

Site: www.fld.com.br

E-mails: fld@fld.com.br

Descrição

O que se observa nos campos sulinos hoje, é o avanço de uma espécie exótica, o capim-annoni (Eragrostis plana Nees), sobre um bioma que apresenta mais de 450 espécies de gramíneas e 150 espécies de compostas e leguminosas (a maioria delas de importância forrageira), e isso significa – a médio prazo – uma inviabilização da atividade de pecuária em campo nativo, pois o annoni é uma espécie exótica agressiva e de baixa qualidade nutricional para o gado. O primeiro passo da iniciativa descrita foi conhecer o jovem casal Juliane e Gilmar Jhan, em 2015 durante a realização de atividades de campo pelo projeto Pampa (2013 – 2018) desenvolvido pela Fundação Luterana de Diaconia – FLD, em um curso sobre Saúde do Solo, realizado no assentamento Santa Maria do Ibicuí em Manoel Viana RS, onde a família é assentada. O segundo passo foi a valorização das práticas já realizadas pela família, em adubar o campo com folhas de árvores e esterco bovino recolhido diariamente em torno da casa. O terceiro passo foi a incorporação de pó de rocha como fertilizante no solo. O quarto passo foi o preparo de biofertilizantes (adubo líquido foliar, resultado da fermentação de esterco, mel ou melaço, cinza, vegetação local e outros recursos disponíveis no lote). Foi um passo importante que trouxe resultados imediatos e reflexos na renda da família, que deixou de comprar adubo químico (NPK) e passou a usar o biofertilizante não só sobre a área do estudo, mas também, em seus outros cultivos (milho, feijão, hortaliças, pastagens, etc). O quinto passo desta iniciativa foi a implantação de piquetes com cerca elétrica e disposição de bebedouros. Uma área de 23.000m² foi dividida em oito piquetes onde os animais passaram a ser manejados com a utilização da técnica do pastoreio rotativo, garantindo maior sanidade aos animais e melhor desenvolvimento do campo nativo. Para potencializar este manejo foi utilizado um pulverizador a tração animal para a aplicação de biofertilizante sobre o campo. O biofertilizante é aplicado a cada 15 dias, visando promover a microvida do solo e viabilizar o ressurgimento de espécies nativas forrageiras antes existentes nessa área (como a pega-pega e a grama forquilha, entre outras) e assim, reduzir a incidência do capim annoni (Eragrostis plana Nees). A família, hoje, tem a prática do uso do biofertilizante como a principal tecnologia introduzida no lote nos últimos anos, tecnologia que reflete diretamente na renda familiar, deixando de comprar adubo químico e com isso economizando em torno de R$6.000,000 ao ano. O uso do biofertilizante sobre o campo, associado ao manejo dos animais em pastoreio rotativo vem permitindo o restabelecimento do campo nativo. Essa inovação vem sendo atualmente divulgada por Gilmar e Juliane que a descrevem como: “Controle do capim annoni por meio do uso de biofertilizante sobre o campo e manejo dos animais em pastoreio rotativo, com restauração do campo nativo no bioma Pampa”. Essa tecnologia é muito adequada para os campos sulinos e para as famílias que tem sua economia baseada no uso do campo nativo, tendo em vista as seguintes problemáticas: a perda da biodiversidade dos campos nativos, a falta de políticas públicas voltadas para essa problemática do capim annoni, a dificuldade e descrença social de que é possível controlar o capim annoni e restaurar a fertilidade do solo e as forrageiras nativas, e a necessidade de redução do custo de produção e custo de vida para que famílias consigam se manter na atividade produtiva de pecuária, seja ela leite ou carne, com qualidade de vida. Para potencializar as boas iniciativas da família, a FLD através do projeto Pampa, propôs a implantação de um biodigestor (tecnologia capaz de armazenar o esterco dos animais disponível na propriedade e, a partir deste, gerar gás para queima na cozinha e o biofertilizante resultante do processo de fermentação do esterco). A implantação do biodigestor potencializou as iniciativas até então empreendidas pois ampliou a produção de biofertilizante e tem gerado biogás para o abastecimento de três famílias, algo inédito na região. Tecnologias sociais integradas e que atendem uma coletividade rompem paradigmas em uma sociedade onde as tecnologias de ponta e o individualismo, cada vez ganham mais espaço. O lote de Gilmar e Juliane vem sendo referência na região, como exemplo de unidade familiar produtiva e sustentável, com um bom nível de segurança alimentar e nutricional alcançado por meio de uma agricultura sustentável. A família tem recebido visitantes em dias de intercâmbio realizados no lote (foram 2 intercâmbios em 2018, com participação de dezenas de agricultoras e agricultores de comunidades rurais e assentamentos de municípios vizinhos). Também têm recebido estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental Paulo Freire (escola do assentamento), visitas esporádicas de vizinhos e demais interessados em conhecer as iniciativas da família.
Custo da implantação da tecnologia em 1 hectare de campo, dividida em 4 piquetes de igual tamanho com bebedouro ao centro, utilizando cerca elétrica com 2 fios de arame. Materiais necessários: Moirões – 25 unidades; Arame liso – 1.200 metros; Arame galvanizado Nº 18 “para rabicho dos moirões” 10kg; Isoladores – 60; Bebedouro – 1 (os 4 piquetes deverão ter acesso); Mangueira para condução de água até ao bebedouro – 100 metros); Mudas de árvores para a implantação de sombra nos piquetes para os animais – 20; Galão para preparo do biofertilizante “100 ou 200 litros”; Pulverizador a tração animal com bomba a pistão para potencializar o uso do biofertilizante sobre o campo – 1; Animal manso para “tração animal”, pode ser cavalo ou junta de bois; Recursos humanos necessários para implantação da tecnologia – 3 pessoas.

Objetivos

Realizar o controle do capim annoni (Eragrostis plana Nees), através do uso de biofertilizante e manejando o gado em pastoreio rotativo, evitando que o annoni produza sementes, promovendo o equilíbrio nutricional e a vida de microrganismos no solo e a restauração do campo nativo no bioma Pampa. Criar condições – edáficas e de manejo – para o enfraquecimento do capim annoni, a ponto de ser arrancado pelo gado ao pastejar; Criar condições – edáficas e de manejo – que favoreçam o desenvolvimento de espécies forrageiras nativas; Diminuir os custos de produção da atividade de pecuária leiteira na agricultura familiar, por meio da supressão do capim annoni e da recuperação do campo nativo.

Público-alvo

Famílias assentadas da reforma agrária, pecuaristas familiares do bioma Pampa, escolas do campo, público em geral do campo e da cidade.

Resultados

Resultados
A iniciativa de controle do capim annoni por meio do uso de biofertilizante e pastoreio rotativo e consequente restauração do campo nativo no bioma Pampa, vem sendo trabalhada há mais de três anos pela família. De lá para cá vem se observando uma constante evolução do campo nativo sobre o annoni. No início do manejo, a área era completamente infestada pelo annoni. Com o passar do tempo foi se observando o surgimento de espécies forrageiras nativas que antes existiam ali, como a pega-pega, a grama forquilha, entre outras. Aquele solo exposto que antes se observava hoje já não se vê mais, pois a vegetação nativa cobriu o solo e o annoni está diminuindo. Em uma área de 23.000m² dividida em 8 piquetes de igual tamanho, a família iniciou colocando 7 animais por piquete, hoje esse manejo vem sendo realizado com 12 animais por piquete, o que mostra uma evolução do campo, e consequente maior oferta de pasto suportando mais animais na área. Outra evolução que se observa é em relação a microvida no solo e a descompactação/porosidade deste. Quando os animais são trocados de piquete, se observam muitas touceiras de annoni arrancadas pelo gado ao pastejar. Também tem se observado uma grande presença do besouro “rola-bosta” (Digitonthophagus gazella) no esterco do gado, no campo. Esse besouro, cumpre um papel bem importante no sistema produtivo de pecuária criada a pasto, por ser um indicador de sanidade do ambiente, também ajuda no controle biológico das moscas do chifre (Haematobia irritans), além de promover a descompactação do solo por meio de canais abertos a uma profundidade de até 1,2 metros, onde enterra as bolas de esterco e onde deposita seus ovos para sua reprodução, fazendo dessa forma também a distribuição da matéria orgânica no solo. Essa iniciativa tem despertado o interesse de agricultoras e agricultores de comunidades rurais e assentamentos de municípios vizinhos que tem seus campos nativos tomados pelo annoni. Visitas de intercâmbio têm sido realizadas no lote para que outras pessoas possam conhecer a experiência. Foram dois intercâmbios em 2018, com participação de dezenas de pessoas. A família também tem recebido estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental Paulo Freire (escola do assentamento), visitas esporádicas de vizinhos e demais interessados em conhecer esta iniciativa.
Endereços eletrônicos associados à experiência:

Vídeos


https://fld.com.br/projetopampa/

Imagens