Tapajós Solar, energia para a vida

Neste segundo episódio, vamos dialogar sobre energias, com o Projeto Tapajós Solar, desenvolvido na região de Santarém, no Pará, pelo movimento Tapajós Vivo. O projeto tem construído uma alternativa de energia limpa e sustentável para salvar o rio Tapajós e manter a soberania das populações tradicionais, uma ação de resistência contra as hidrelétricas previstas para a região que poderão trazer danos ambientais e sociais irreversíveis. Para explicar sobre o assunto, o Nossos Saberes recebe dois ativistas engajados com o tema de energia limpa: Isabel Cristina, do movimento Tapajós Vivo, e Ivo Poletto, assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental.

CJMA, jovens construindo a agroecologia

Neste terceiro episódio, dialogamos sobre Agroecologia. Os entrevistados são Felícia Panta, coordenadora da Comissão de Jovens Multiplicadores e Multiplicadoras da agroecologia (CJMA), e Carlos Magno, coordenador do Centro Sabiá, que há 15 anos constroem a agroecologia e se organizam na luta por direitos. Trazemos a experiência desses jovens que, em diferentes regiões da Zona Rural de Pernambuco, fazem enfrentamento ao modelo de agricultura predominante, gerador de uma crescente desigualdade e de enormes danos ambientais. Jovens que, neste trágico cenário brasileiro de crise alimentar e volta ao mapa da fome, se articulam em seus territórios e criam alternativas para as juventudes e suas famílias.

REDES, Proteção e Cuidado entre Mulheres Negras

Neste quinto episódio, o Nossos Saberes contará sobre este projeto criado pela Ong Criola que vem dando suporte para mulheres negras pelo Brasil continuarem sua luta contra o racismo, contra a violência e por outras formas de viver em sociedade. O projeto vem criando uma rede de proteção e potencialização dos saberes ancestrais que caminham com essas mulheres e que clamam pelo direito de existirmos todas e todos com dignidade. Para contar sobre a importância deste projeto, foram entrevistadas as ativistas Lúcia Xavier, coordenadora da Ong Criola, e Maria Aparecida de Matos, professora, ativista e quilombola no Tocantins.

Economia Solidária - A Experiência do UMOJA

“Umoja, uma moeda solidária”: criada pelos moradores do bairro do Uruguai, em Salvador (BA), a Umoja é uma moeda solidária que vem ajudando o desenvolvimento de empreendedores locais. Por meio da associação Santa Luzia, a comunidade criou um banco comunitário com uma moeda própria que circula apenas no comércio local. Com mais de 100 bancos comunitários já existentes no Brasil, essa é uma alternativa que cresce na contramão de uma economia dominada pelos bancos convencionais e juros abusivos. Com os bancos comunitários, muda-se a lógica e diminui-se o endividamento das pessoas. O dinheiro volta para a comunidade e quem lucra é a própria comunidade. Para contar essa experiência, o primeiro episódio do Nossos Saberes falará com Simaia Barreto, coordenadora do Centro Público de Economia Solidária de Lauro de Freitas na Bahia (BA), e Débora Rodrigues, do Fórum Baiano de Economia Solidária.

Projeto Cisternas e a convivência com o semiárido

Criado e desenvolvido pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), o Projeto Cisternas defende o direito à água e a democratização desse bem comum tão vital. A ASA é uma rede de 3 mil organizações da sociedade civil que há mais de 20 anos atua pela construção de um projeto político de convivência com o semiárido e pela defesa do direito à água. Com reconhecimento internacional, o projeto já construiu mais de 1 milhão e 200 mil tecnologias que entregam água a cerca de 5 milhões de brasileiras e brasileiros. Mesmo tendo se consolidado enquanto política de Estado, o projeto vem sofrendo uma gigantesca redução orçamentária do atual governo federal, e tem desenvolvido, ao mesmo tempo, tecnologias outras de sobrevivência em meio à pandemia. Para conhecer melhor essa premiada experiência, entrevistamos Ana Lúcia, mulher negra, mãe, liderança comunitária e agricultora impactada pela chegada da cisterna, e Cícero Félix, que entre diversas atividades, é também coordenador da ASA Brasil.

Ilera: Ancestralidade e Saúde

Discutindo economia criativa e o fortalecimento da memória e da identidade cultural dos povos originários, o sétimo episódio do podcast apresenta a experiência da Ilera: Ancestralidade e Saúde. A Ilera é uma organização voltada para o uso dos saberes das raízes negra e indígena, que dissemina estratégias e cuidados de saúde a partir dos saberes ancestrais. Criada em 2015 por um coletivo de mulheres negras, o projeto já passou por diversas regiões do Brasil e, por meio do desenvolvimento de produtos medicinais e de encontros e vivências com mulheres, reforça e celebra os saberes das mais sábias, envolvendo educação ambiental e economia criativa, como alternativa à medicina tradicional elitista, eurocentrada e encapsulada. Para falar um pouco mais sobre o fazer Ilera, o Nossos Saberes recebeu Leila Rocha, educadora popular, enfermeira da Ilera e mestranda em Tocoginecologia, e Jaqueline Rosa, produtora, articuladora cultural e mulher que teve sua vida impactada por esses saberes.

Horta Popular Becos e Vielas: Agroecologia na cidade

Neste oitavo episódio, o Nossos Saberes discute agroecologia na cidade a partir da experiência da Horta Popular Becos e Vielas. A horta, que surgiu na comunidade do Jardim Trianon, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, nasce como uma estratégia popular que responde ao desejo de moradoras e moradores de cultivar seu próprio alimento e demais ervas medicinais. A partir de mutirões em um terreno abandonado, em 2018, a horta foi construída junto com a sede da Associação Cultural Becos e Vielas. Já em 2020, a horta passou a cumprir um importante papel no enfrentamento da insegurança alimentar intensificada pela pandemia. E hoje, além de terra de cultivo para alimentos que nutrem a população local, a horta constitui-se também enquanto território educador, promovendo solidariedade, autonomia e bem viver na periferia. Para conhecer melhor a prática da Horta Becos e Vielas, foram entrevistados Alex Zudão, educador e permacultor periférico, e Ruth, mulher nordestina, mãe e moradora do Jardim Trianon.

Trilha Raízes: resgate e preservação dos conhecimentos tradicionais indígenas

Desenvolvida junto do Instituto Madre Bernarda em 2018, a iniciativa Trilha Raízes é um espaço de visitação em Chapecó, Santa Catarina, que promove o resgate da cultura tradicional indígena a partir do uso de plantas medicinais e saberes ancestrais. Na trilha, visitantes podem conhecer os produtos e as plantas catalogadas ao lado de mulheres indígenas, que realizam uma técnica de fitoterapia durante a caminhada pelos 600 metros de mata na aldeia indígena Toldo Chimbangue. Além de promover o resgate e preservação das culturas indígenas, o projeto também constrói pontes entre a sociedade e os conhecimentos apagados pelo processo de colonização e invisibilização desses povos. Hoje em dia o Trilha Raízes não conta com financiamento de apoiadores, e toda a manutenção do espaço, bem como a realização das visitações, é realizada pelas próprias mulheres indígenas da aldeia. Para falar mais da importância do projeto, o podcast recebeu como convidada Cleuza Rodrigues, mulher indígena Kaingang e, entre muitas outras coisas, auxiliar de enfermagem, nutricionista, técnica em fitoterapia e em medicina tradicional indígena, e moradora da terra indígena Toldo Chimbangue.

Cooper Região: reciclagem e inclusão social

No seu décimo episódio, o Nossos Saberes discute como o cooperativismo de verdade, com autogestão e liderança sustentável, pode, a partir do trabalho da reciclagem, resgatar a dignidade e transformar vidas. A Cooper Região é uma cooperativa de catadoras de materiais recicláveis e resíduos sólidos da região metropolitana de Londrina, Paraná, que além de realizar a coleta, transporte e comercialização de materiais recicláveis, tem como missão promover a inclusão social, o exercício da cidadania e o resgate da autoestima de catadoras e catadores. Atuante em Londrina há quase 15 anos, a Cooper Região atende 40% da população por meio da coleta seletiva de cerca de 200 toneladas de material reciclável todos os meses. Além disso, 85% das pessoas cooperadas são mulheres chefes de família, indicando o protagonismo das mulheres. Para entender mais da potência transformadora da Cooper Região, foram convidadas para a conversa deste episódio Verônica, que é mãe, gestora financeira, assistente social e líder sustentável a frente da cooperativa, e Rita de Cássia (Catita), mulher com uma grande história de superação, e que coleciona conquistas após seu encontro com a reciclagem. Ambas são mulheres de luta que reforçam: “coleta seletiva sem catadores e catadoras é lixo!”.